Evento ocorreu no auditório do campus Ana Rosa

O acontecimento contou com presenças ilustres e bons exemplos profissionais. Ocorreram duas rodas de conversas, a primeira foi “Emprego & Afro empreendedorismo”, da qual participaram: Marcela Lemos, empreendedora, consultora de imagem e estilo e idealizadora da consultoria Vestilonegro; Fernanda Leôncio, turismóloga, comunicadora interna de empresas, hoje faz parte da AfroBusiness, que visa oferecer suporte aos empreendedores negros e não negros que buscam igualdade no mercado de trabalho; Jamile , jornalista e ex – aluna da FMU. Esta conversa foi mediada pela professora Alessandra Sabugaro, docente da FIAM-FAAM.

Foram efetuadas discussões pertinentes a respeito da situação do mercado para o negro. Muitos assuntos interessantes foram postos na conversa, sempre baseados em dados. Fernanda teve muitas oportunidades no mercado de trabalho, o que acredita ser uma exceção, mas existem grandes ícones exemplares de sucesso, como: Obama, Oprah, Taís Araújo e Lázaro Ramos.  E várias informações foram analisadas, “3% dos negros atingem os cargos de gestão e chefia”, comentou Fernanda que estudou as relações étnico – raciais. Falou – se ainda sobre o fato do afro empreendedorismo possuir várias características diferentes, a Moda Afro, com suas demandas específicas, as Afro – Startup’s donas de produtos diferenciados e o empreendedorismo social como o Moradigna, que oferece reformas para pessoas de baixa renda, geralmente em favelas e periferias. O trabalho de Fernanda visa dar suporte, proporcionando maior integração dos microempreendedores.

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Banner de entrada do evento, pertencente ao NERA, Núcleo de Estudos Étnico – Raciais. Crédito: Júlia Pereira

 

A moda negra e sua vestimenta é algo extremamente importante a ser discutido. Marcela Lemos disse que sua oportunidade apareceu no espaço que estava vazio do mercado. No estilo de vida do negro e sua identidade, sem padronizações. “Cada um é único e tem sua situação, seu “eu” interior”, explica Marcela. Focada na valorização do auto estima a Vestilonegro planeja guarda-roupas e montagens de looks. Muitas dicas foram expressas, inclusive para se manter sempre capacitado e conhecer sua imagem pessoal.

Jamile, uma outra convidada, ressalta que o mercado de trabalho não está fácil para ninguém, mas para a população negra está um pouco mais difícil. “É difícil ser uma exceção”, comentou a jornalista que cuida do Portal Afro com reportagens e matérias direcionadas ao afrodescendente. Ela gosta de escrever sobre futebol e gastronomia, pois já trabalhou na área das cozinhas. Ela destacou também o espaço disponível para o negro no mercado de trabalho: “Se há algum espaço para o empreendedorismo, nós temos que ocupa-lo da melhor maneira possível”, disse Jamile.

Para o preenchimento das lacunas do mercado de trabalho e para uma maior diversidade, é preciso tornar a inclusão uma necessidade. Como manifesta Fernanda: “A diversidade gera lucro, fato”. Marcela acredita que estudar é um diferencial. E o que ficou para reflexão foi que, é preciso repensar a inserção negra no mercado de trabalho e no empreendedorismo.

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Da esquerda para a direita: Alessandra Sabugaro, Jamile, Fernanda Leôncio e Marcela Lemos. Crédito: Júlia Pereira

A segunda roda de conversa chamada “Experiência profissional e a questão racial”, foi uma conversação baseada em trocas de experiências e inserções no mercado de trabalho, participaram: Claudia Alexandre, apresentadora, jornalista, radialista e comunicadora. Faz parte da produção do programa Papo de Bamba, colaboradora no Portal Africas, uma agência de notícias e faz parte da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (COJIRA – SP); Flávio Carrança, jornalista, também membro da COJIRA, foi durante 14 anos editor de agropecuária da TV Bandeirantes, editou a revista de hip-hop “Pode crer” e, edita o jornal angolano em São Paulo “Angolieto”, de periodicidade trimestral; Billy Castilho, diretor de arte do estúdio Senhora Olga, criador da Tag Gallery, presente no centro de São Paulo, na rua Libero Badaró.

Cláudia contou sobre os seus 30 anos de profissional do jornalismo, disse isso no dia 21/09, o dia do radialista. Ela nos contou que: “Como no futebol, o negro foi protagonista no rádio. Expressou sua admiração pelo radialista negro e importante Evaristo Carvalho, extremamente importante na história de São Paulo. “O rádio não morre, se transforma”, citou Cláudia ao relembrar o advento das novas tecnologias no ramo comunicacional. Foi explicado sobre a migração das estações AM, para a FM, criando mais qualidade de transmissão. Esta profissional trabalhou em diversos e inúmeros meios de comunicação, aqui estão alguns: Rádio Gazeta, América Record, Transcontinental, Rádio Globo (AM), TV ABC, SBT TV e Canal Viva. Sua inspiração, Evaristo Carvalho, foi importante para a oficialização dos desfiles de escola de samba, ele era um protagonista na mídia com 64 anos de carreira. Como análise conclusiva Cláudia conclui que: “O negro está adentrando mais no trabalho social, na mídias, futebol e teatro”.

Flávio é um paulistano da Lapa, com 64 anos, na década de 70 participou de movimentos estudantis. Encontrou na USP o Movimento Negro Unificado, foi jornalista de seu próprio jornal e trabalhou com a militância política. Trabalhou na Rádio Cultura, foi repórter e chefe de reportagem, depois, foi para a Rádio Eldorado, Folha e depois Bandeirantes. Mantém laços com muitas pessoas do movimento negro. Auxiliou em questões raciais da COJIPA e criou um comitê permanente. Este comitê ajudou na implementação de políticas de igualdade racial no Brasil, se tornando referência, manifesta hoje no mercado de trabalho. “Antigamente, esta era uma coisa muito pouco pensada”, informa Flávio. Junto com a jornalista Regiane Borges, fez um livro sobre diversos artigos que tratam de jornalismo e racismo no mercado de trabalho. Para maior compreensão de seu trabalho, Flávio trouxe várias fac – símiles da imprensa negra e doou para a faculdade.

Depois, Billy Castilho nos contou sobre sua experiência profissional como afrodescendente. Ele informou que as portas de trabalhos foram se abrindo conforme conhecia mais pessoas e conquanto tivesse informações importantes em seu poder. Seu caráter sincero e organizado, ajudou – o a chegar onde está hoje. “Se você chegar na frente do diretor e impressionar, você arruma espaço”, explicou Billy. Este profissional fez propaganda de marcas como Skol e Brahma. Fez grandes filmes publicitários da Volkswagen e Sadia. Ele teve um projeto chamado Multimídia Negra, que buscou saber como os negros se relacionam com a cultura Pop, foram cinco palestras no MIS (Museu da Imagem e do Som). Outro projeto foi a Cinema Feijoada, em que 5 diretores negros discutiram a questão racial. Billy contou que a direção de arte é muito sensível, buscando que tudo dê certo. Foi debatido por ele a questão do trabalho na estética negra em propagandas, o machismo com a sensualidade da mulher e a questão cultural, da qual, segundo suas palavras “o buraco é muito mais embaixo”. Ele ainda apoiou a iniciativa negra nos trabalhos artísticos: “Quanto mais negros fizerem fotografia, arquitetura, estética, etc., será sensacional”, expressou Billy.

Por fim, estas palestras e debates serviram apara ajudar na aquisição de consciência da questão racial em território brasileiro. O negro na mídia e em serviços historicamente brancos, o espaço do empreendedor negros e seus nichos. Assim como, perceber que há muitas histórias de sucesso e que ainda não está vencida a luta por igualdade racial, ainda resta muita luta e conscientização, mas para quem acredita em si, sempre há oportunidades disponíveis.

 

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